Festas Feiras de Sementes Crioulas: resistência e reexistência diante dos desafios
Palabras clave:
Território, Desterritorialização, Reterritorialização, Agrobiodiversidade, Movimentos sociaisResumen
A propriação das sementes está inserida em diversas racionalidades que envolvem modelos de produção e consumo aplicados às atividades agrícolas e de exploração dos recusos naturais, que promovem sua mercantilização e o monopólio da agrobiodiversidade. Neste contexto, nas Festas Feiras de Sementes Crioulas, emergem práticas de resistência e luta por territórios, onde diversos movimentos sociais se articulam em torno das sementes. Investigou-se as feiras como espaços de construções de resistência e de reexistência diante das dinâmicas da agricultura hegemônica. Este artigo apresenta os resultados de uma pesquisa qualitativa e descritiva, realizada entre 2020 e 2024, envolvendo observação participante em Festas Feiras de Sementes Crioulas no Paraná, Brasil. Com base em narrativas orais e observações diretas, identificou-se que esses espaços desempenham um papel crucial na preservação das sementes crioulas, valorização da agrobiodiversidade e construção de práticas agrícolas agroecológicas. A pesquisa evidenciou que as feiras se configuram como práticas territoriais em oposição às forças de desterritorialização da agricultura moderna, de espaços de resistência aos desafios à re-existência a partir dos desafios numa força reterritorializadora pela semente crioula. Assim, os resultados desta pesquisa apontam que as feiras são uma expressão concreta de luta e resistência, que promove as pluridiversidades dos territórios.
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Referencias
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