Cotidiano e resistência socioterritorial: práticas e lutas no Assentamento Índio Galdino (SC)

Autores

  • Vitor Carvalho Gomes Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG
  • Rocío del Pilar López Cabana Universidade Federal do Mato Grosso do Sul
  • Josiane Barbosa Gouvêa Instituto Federal do Paraná image/svg+xml

DOI:

https://doi.org/10.36920/nz4dd311

Palavras-chave:

Cotidiano, Movimentos sociais agrários, Reforma agrária, Conflitos socioterritoriais

Resumo

Este artigo tem como objetivo investigar as histórias e o cotidiano de lutas e sobrevivência dos membros do Assentamento Índio Galdino, na região de Curitibanos/SC, tomando o cotidiano como dimensão analítica central. O estudo busca compreender como essas práticas se articulam a processos mais amplos de disputa territorial, resistência e organização coletiva no campo. A pesquisa adota abordagem qualitativa, com base em entrevistas semiestruturadas e análise narrativa. Dialogando com as contribuições de Agnes Heller e Michel de Certeau, o estudo compreende o cotidiano como espaço privilegiado de produção de sentidos, estratégias e táticas de resistência. Os resultados evidenciam que as práticas dos assentados se articulam a condições estruturais marcadas por desigualdade no acesso à terra, disputas territoriais e formas coletivas de organização e adaptação, que permitem a permanência e a reprodução da vida no campo. Conclui-se que o cotidiano constitui uma dimensão central para compreender a dinâmica dos movimentos sociais agrários, evidenciando tanto seus limites quanto suas potências na reconfiguração das relações sociais e territoriais.

Downloads

Os dados de download ainda não estão disponíveis.

Biografia do Autor

  • Vitor Carvalho Gomes, Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG

    Doutorando em Administração pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) no Centro de Pós-Graduação e Pesquisas em Administração (CEPEAD). Mestre em Sustentabilidade pelo IFPR Instituto Federal do Paraná. Graduado em Administração pela FERLAGOS (Faculdade da Região dos Lagos). E-mail: adm.vitorcg@gmail.com

  • Rocío del Pilar López Cabana, Universidade Federal do Mato Grosso do Sul

    Doutora em Administração pela Universidade Estadual de Maringá (UEM). Professora do Curso de Administração da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul - UFMS - Câmpus de Chapadão do Sul, Mato Grosso do Sul, Brasil. E-mail: rocio.lopez@ufms.br.

  • Josiane Barbosa Gouvêa, Instituto Federal do Paraná

    Doutora em Administração pela Universidade Estadual de Maringá (UEM). Professora do Instituto Federal do Paraná - Campus Umuarama e do Programa de Pós-Graduação em Sustentabilidade do Instituto Federal do Paraná (IFPR) e Universidade Estadual de Maringá (UEM), Umuarama, Paraná, Brasil. E-mail: josiane.gouvea@ifpr.edu.br

Referências

CARVALHO, Tarcísio Motta de. Coerção e consenso na Primeira República: a guerra do contestado. 2009. Tese (Doutorado) – Universidade Federal Fluminense, Niterói, RJ, 2009.

CERTEAU, Michel de. A invenção do cotidiano. Petrópolis: Vozes, 2014.

FERNANDES, Bernardo Mançano. Questão agrária: conflitualidade e desenvolvimento territorial. In: BUAINAIN, A. M. (Ed.). Luta pela terra, reforma agrária e gestão de conflitos no Brasil. Campinas: Unicamp, 2005. p. 173–230.

GERMANI, Guiomar Inez. Condições históricas e sociais que regulam o acesso à terra no espaço agrário brasileiro. GeoTextos, v. 2, n. 2, p. 115–147, 2006.

HAESBAERT, Rogério. O mito da desterritorialização: do “fim dos territórios” à multiterritorialidade. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2004.

HELLER, Agnes. O cotidiano e a história. São Paulo: Paz e Terra, 1970.

LABOV, William. Language in the inner city: studies in the Black English Vernacular. Philadelphia: University of Pennsylvania Press, 1972.

LABOV, William; WALETZKY, Joshua. Narrative analysis: oral versions of personal experience. In: HELM, J. (Ed.). Essays on the verbal and visual arts. Seattle: University of Washington Press, 1967.

LEMOS, Silse Teixeira de Freitas. A face oculta do caboclo de Curitibanos, Santa Catarina: perdas e rupturas em sua peregrinação da economia de subsistência para o trabalho precarizado. 2006. Tese (Doutorado) – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, SP, 2006.

MORISSAWA, Mitsue. A história da luta pela terra e o MST. São Paulo: Expressão Popular, 2001.

RADIN, José Carlos; CORAZZA, Gentil. Guerra do Contestado. In: Dicionário histórico-social do Oeste catarinense [online]. Chapecó: Editora UFFS, 2018, pp. 79-83

RADIN, José Carlos; SILVA, Claiton Marcio da. “Um vasto celeiro”: representações da natureza no processo de colonização do oeste catarinense (1916–1950). Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi: Ciências Humanas, v. 13, n. 3, p. 681–697, 2018.

STÉDILE, João Pedro (Org.). A questão agrária no Brasil: o debate tradicional – 1500-1960. São Paulo: Expressão Popular, 2005.

TECCHIO, Andréia. Vida e luta das famílias caboclas hoje. In: RODRIGUES, R. R. et al. (Org.). A guerra santa do Contestado tintim por tintim. Chapecó: Letra e Voz, 2023. p. 373–380.

WITTE, Gerson. A tecnologia sustentável das construções caboclas. In: RODRIGUES, Rogério et al. (Org.). A guerra santa do Contestado tintim por tintim. Chapecó: Letra e Voz, 2023.

Downloads

Publicado

02-07-2026

Artigos Semelhantes

11-20 de 245

Você também pode iniciar uma pesquisa avançada por similaridade para este artigo.