Religiosidade em Belo Monte: origens do catolicismo caboclo e o seu caráter revolucionário na comunidade de Antônio Conselheiro
DOI:
https://doi.org/10.36920/rrfpa849Palabras clave:
Os Sertões, Euclides da Cunha, Belo Monte, Antônio Conselheiro, Religião CaboclaResumen
Em diferentes momentos de Os Sertões, Euclides da Cunha caracterizou Belo Monte como uma comunidade de “retardatários”, cuja fé seria expressão de uma mentalidade mal-acabada. De acordo com o ponto de vista do escritor, tal mentalidade era “produto” de sua condição de mestiços, formulações que evidenciam as bases teóricas racistas e xenofóbicas de que ele se valeu para compreender as populações tradicionais do interior do país. Entretanto, a partir da pesquisa desenvolvida por Eric Hobsbawm em Rebeldes Primitivos, torna-se possível compreender que a religiosidade dos sertanejos, cuja origem remonta à fundação de reduções indígenas por missionários jesuítas, possuía um caráter eminentemente revolucionário. Este artigo pretende revisar a origem do catolicismo caboclo, bem como assinalar de que modo o caráter messiânico do conselheirismo constituiu um importante elemento de coesão social, além de um meio de expressão de uma determinada visão de mundo no contexto da revolta de Belo Monte.
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