Os conflitos agrários e o processo de reordenamento fundiário na região sudeste do Pará: uma proposta de abordagem a partir da sociologia dos regimes de ação

Autores

  • Francinei Bentes Tavares Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)

Palavras-chave:

Conflitos agrários, Agricultura familiar, Regimes de ação

Resumo

Os conflitos agrários vêm recrudescendo e se tornando cada vez mais frequentes no meio rural da região sudeste do Pará, marcada por uma intensa concentração fundiária e pela ação de movimentos sociais ligados aos agricultores familiares. Nesse contexto, as constantes pressões dos movimentos sociais terminaram por fazer com que o Estado passasse a ter uma atuação mais direta na região a partir da década de 1990, por meio de políticas públicas direcionadas, em especial, para permitir o acesso à terra para a agricultura de base familiar, causando rápidas e intensas transformações no ordenamento fundiário e na configura- ção socioeconômica local. Essas mudanças podem ser abordadas a partir do seu caráter microssociológico, mediante uma postura que dê atenção também à análise das formas de ação dos atores locais com base em seus próprios referenciais. Para isso, propõe-se a utilização dos conjuntos conceituais desenvolvidos pela abordagem da sociologia dos regimes de ação. Dessa forma, o interesse é centrar o foco de discussão nos regimes de ação denominados “disputas violentas” e “disputas por justiça”, que se acredita serem os principais condutores das práticas dos atores sociais nos conflitos agrários na região estudada.

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Biografia do Autor

Francinei Bentes Tavares, Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)

Doutorando do Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Bolsista do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) e do Programa BECA do IEB (Bolsas de Estudo para a Conservação da Amazônia / Instituto Internacional de Educação do Brasil).

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Publicado

07-03-2015