A humanidade e o coronavírus: um olhar antropológico sobre nós, a natureza

Autores

Palavras-chave:

Natureza e sociedade, humanidade e animalidade, perspectivismo, cosmologias indígenas, pensamento ocidental

Resumo

Este artigo é um exercício teórico sobre as diferentes perspectivas com que ocidentais e ameríndios percebem a pandemia do coronavírus e seus efeitos sobre a natureza e a humanidade. Resgatando as Considerações filosóficas de Bakunin (1871), promovemos um diálogo entre sua concepção de natureza e das fronteiras entre o humano e o não humano, construídas em oposição a alguns dos princípios básicos da filosofia ocidental, e leituras antropológicas recentes que buscam em filosofias ameríndias explicações alternativas às causas da pandemia. O perspectivismo ameríndio e sua ontologia relacional contribuem para a superação da oposição entre natureza e humanidade característica da ciência ocidental, promovendo uma visão de natureza em que todos os seres, inclusive os humanos, estão interligados e são parte de um todo maior; em que cada espécie vê a si mesma como humana, de modo que devemos negociar constantemente os nossos atos predatórios para que o equilíbrio ecológico seja mantido.

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Biografia do Autor

Vicente Carvalho Azevedo da Silveira, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil

Mestrando no Programa de Pós-Graduação de Ciências Sociais em Desenvolvimento, Agricultura e Sociedade da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (CPDA-UFRRJ). Graduado em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Possui Especialização em Docência no Ensino Fundamental e Médio, na disciplina de Sociologia, pela Universidade Cândido Mendes (UCAM-RJ). Participou do Laboratório Interdisciplinar sobre Informação e Conhecimento (UFRJ) e do Núcleo de Pesquisa em Teoria Política do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS/UFRJ).

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Publicado

04-03-2021